terça-feira, 17 de março de 2020

Reflexão sobre a pandemia

Um surto em Hubei
De repente a capital Wuhan encontrou-se em quarentena
Cidade fantasma, sem vida
Um espaço transformado em paisagem em poucos dias
As divisas geográficas podem ser físicas ou imaginárias
De qualquer modo não contêm a propagação do vírus
E o que estava localizado e aparentemente restrito
Se espalhou por todo um país
O surto virou epidemia, atacou o povo da China
Propagação pelo leste asiático
A urgência não espera
Redes conectadas, globalização contemporânea
Trânsito de carros, trânsito de pessoas
A lotação é a fonte do contagio
Um avião da classe média alta rumo ao velho continente
A burguesia é o verdadeiro parasita
Logo a Europa entrou em apuros
Restrições, medo, agitação, ansiedade, desespero
Adjetivos nem sempre são positivos
Alívio ao receber o teste negativo
Acúmulo de mercadorias (nada de novo)
Estoque de validades vencidas
Todos têm um prazo
A vaidade do primeiro mundo diminuída a um vírus
Fronteiras fechadas (nada de novo)
Muito além da xenofobia
Itália, Espanha, Hungria
Mas agora as portas estão fechadas para todos
A epidemia viralizou, transformou-se em pandemia
Em todos os continentes do mundo
Relações líquidas
Tem gente pensando só na economia
E a vida?
Lojas fechando, indústrias falindo
E a vida?
A culpa é do outro
Mais uma crise cíclica
As redes estão paralisadas
Os jogos estão paralisados
Os beijos, os abraços...
Devoção ao trabalho
E a vida?
Capital parasita
O café que esfria na xícara
Os idosos isolados, esquecidos, afastados
A idade não espera
Sem visitas
E as vidas?
E as dívidas?
Ônibus lotado, ruas vazias
Os corpos contaminados se acumulam
Chegou no Brasil, era só uma questão de tempo
Um país sem presidente
Incentivando a irresponsabilidade social
A sociedade é feita de pessoas, mas também de gado
Rotina alterada, escolas fechadas
Elevação nos preços, elevação no dólar
Eles só pensam em números
E a vida?
Doença quase invisível, mas tem nome
Covid-19
Talvez pudesse se chamar desemprego ou fome
Trancado em poucos metros quadrados
Até quando a sanidade suporta?
Os casos se multiplicam
Efeito dominó da exaustão
Já estávamos doentes antes do vírus chegar
Máscaras na vitrine, desfile de cadáveres
Casos reais, mas tem gente achando que é brincadeira
Corona! Corona! Corona!
Falta de ar
Um último suspiro
Só assim para abrir os olhos
Qual será a desculpa da vez?
Vacina é tecnologia, mas há teto para a saúde e educação
A velha teoria da conspiração
Quem estenderá as mãos quando o resultado der positivo?
Queda de peças, todos estão no tabuleiro
Filas nos mercados, tensão nos hospitais
Enquanto isso prisioneiros fogem das cadeias
Os verdadeiros assassinos estão soltos
O trabalhador permanece preso
Mudanças de hábitos e de comportamento
E de repente a ficha caiu
Do que vale tanta correria todos os dias
Se no final de cada filme os protagonistas morrerão?



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