sexta-feira, 22 de março de 2019

Reflexão sobre os Estados Unidos do Brazil

Paixão antiga e platônica. Por vezes disfarçada, mas sempre presente. Que o Brasil ostenta uma inegável admiração pelos Estados Unidos da América não é uma novidade. Como exemplo é possível citar o próprio nome oficial do país em 1891 como sendo República dos Estados Unidos do Brasil, quando então a jovem nação independente tupiniquim abandonou a monarquia para abraçar um modelo oligárquico de república federativa. Tal nomenclatura do país perdurou até a Constituição de 1967. Típico romance de nações, só que no caso entre Brasil e EUA trata-se de um amor não correspondido.

Durante visita recente do então presidente Bolsonaro à Casa Branca, tal amor unilateral por parte do Brasil foi explicitado ao nível de praticamente beijar a sola do sapato do suposto amor (no caso personificado pela figura de Donald Trump). Uma criança na Disney brincando de governar um país com acordos desequilibrados, reflexo do governo dos Estados Unidos do Brazil (ou EUB se preferir) e da nova família patriarcal. Se de um lado foi liberado o uso do centro espacial de Alcântara, importante polo estratégico situado no Maranhão; do outro lado houve, na melhor das hipóteses, um autógrafo e uma foto de Trump para o seu fã Bolsonaro. A troca de presentes diante das câmeras foi simbólica: uma camisa original contra outra remendada.

Charges: O encontro entre Trump e Bolsonaro

A idolatria presente na história do Brasil de outrora volta à tona com vigor e fanatismo. Uma cópia subdesenvolvida conforme descrito na reflexão sobre o sonho americano. Se no âmbito das relações internacionais os acordos são feitos de modo bilateral, o "Brazil" foi, no mínimo, ingênuo na tratativa dos assuntos. Não restou nada de concreto ao término da reunião, apenas promessas e ilusões. Se de um lado o brasileiro pena para conseguir entrar e permanecer nos EUA; do outro lado as portas estão escancaradas, implorando pela visita do Tio Sam. Inveja, admiração ou submissão?

O sonho tupiniquim há tempos é o sonho americano. Do terror do comunismo (que por sinal nunca houve de fato no país) o que existe é a sede pelo consumismo. Mais do que isso: o sonho em ser os Estados Unidos da América do Sul do Brazil. É bem verdade que, historicamente, os laços entre as duas nações sempre foram fortes. Os Estados Unidos da América foi o primeiro país a reconhecer a independência do Brasil. Por serem bonzinhos? Apenas negócios. Nem heróis, nem vilões: apenas seres humanos.

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Além do nome de Estados Unidos do Brasil que já foi realidade, também embarcamos ao lado dos estadunidenses na Segunda Guerra Mundial. Jogo de interesses e conflitos. Não se pode ocultar o apoio dos norte-americanos para a instauração do regime militar brasileiro em 1964. Qualquer ditadura e tortura foi aceita pelos EUA para combater a concorrência presente na bipolarização durante o século XX. Se os fins justificam os meios, então o que justifica os fins? Leon Trótski se faz presente com o seu questionamento do século passado, ainda atual. 

Se as guerras se justificam por meio do acúmulo de poderio bélico e recursos estratégicos, assim como foi no Iraque e as supostas armas de destruição em massa (vide petróleo); então o que justifica os fins? Se a democracia é o governo do povo, então como explicar a demagogia utilizada pelas elites em sua clássica oligarquia disfarçada cuja alternância do poder se faz entre o seleto grupinho fechado dos mesmos? Faça o que digo, mas não faça o que faço. É possível citar um velho sábio para concluir sobre a relação entre o vizinho rico do Norte e o primo pobre da América do Sul: "a solução é alugar o Brazil". Sim caro leitor, Estados Unidos do Brazil (com z).

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