quarta-feira, 24 de julho de 2019

Reflexão sobre o elevador

Tantos números, qual o botão?
Luzes que mudam
Uma outra estação
Um novo andar
Cansado das escadas
A porta se abre
Um velho reflexo no espelho
Fios brancos de cabelo
Pessoas estranhas entram e saem
Correm sem nunca chegar
Som de correntes batendo
Barulho para silenciar
O acidente é inevitável
Eu ainda me pergunto qual o motivo
Qual o meu lugar?
As luzes se apagam
Preso no elevador
Seria melhor ter ido pelas escadas
Sem conexão
Deve haver um outro jeito de se comunicar
Sozinho com a solidão
A vida é uma caixa de ilusão
Obrigado por estar comigo
Prometo não machucar o seu coração
Esperando a ajuda chegar
Nunca chega a minha vez
Cansado de tanto esperar
A velha sensação de prisão
A imagem do espelho sem reconhecimento
Qual é a minha identidade?
Sempre em constante deslocamento
Pessoas diferentes em cada andar
Tantos anos morando sem conhecer
Novos rostos em velhas faces
A faca afiada continua apontada
Cortando a pele a cada segundo que passa
Lembrar de mim
O cheiro das horas em claro
O frio na barriga a cada morte que passa
Prometa que não vai doer
Quando será a minha vez?
Preso nesse elevador todos os dias
Assistindo a mesma cena
Pessoas com pressa sem se importar
Para onde vão?
A idade que não permite andar
Uma criança sorridente a brincar
O chão é o mesmo, mas não o mesmo lugar
Uma foto familiar
A saudade não é em vão
Pegue o seu troco
Não aceitamos devolução
Ele vai levar a dor
As mesmas ruas
Os andares passam sem questionar
Uma nova pessoa
A vida tem que continuar
Batalho tanto sem alcançar
Mesmo subindo a sensação é de estar no primeiro andar
Ele vai elevar a dor
Ele vai
Elevador
Ainda dá tempo?
Um universo frente-a-frente
Mas um oceano separa a gente
Qual o tamanho do infinito?
Somos os mesmos com outros pensamentos
Somos diferentes
Ainda há tempo para recomeçar?
Um sorriso inesperado
Uma conversa no jantar
O mundo está tão agitado
Sufocado na própria gravata
Preciso de um pouco de ar
Preciso respirar além dessa liquidez que afoga
É preciso aprender tudo de novo
Permita ir
De barriga para cima
Então vai
Em busca do próximo lar
Preso em um quadrado perfeito
Difícil de imaginar
Apenas você e o espelho
Permita ir
Sem correntes para segurar
Então vai
Em busca do próximo andar.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Reflexão sobre o ponto cego

O que é o ponto cego? Em homenagem ao dia internacional do rock (13/7) este post será diferente: toda a estrutura textual será com trechos das letras presentes no álbum Ponto Cego da banda Dead Fish. Diante dos fatos como a manipulação do judiciário, a sede por verbas do legislativo e a eleição de um governo incompetente para o executivo, a banda expressou de forma brilhante toda a sua contestação furiosa sobre os processos que se dão no laranjal Brasilis. É uma obra de arte tão atual e coerente que chega a dar esperança em meio a tanta desilusão. O que é ponto cego mesmo? Obrigado!

Só existe o que vê e o que vê é só o que há. A todo o resto é permitido suprimir e eliminar, mas as sombras da caverna permanecerão lá. O medo e a ambição buscam um aliado para manter tudo igual. Enfrenta fantasmas com munição, quem julga nunca sangrar? Passa o muro, passa a grade, passa a porta, passe a chave. Certezas sem questionamentos, a voz que não se faz ouvir. Qual valor em ser o melhor em um? Destruir para dominar, agredir e avançar. Quem é mais irracional? Nada vai sobrar. Trancado de nove às seis, neurose alimentada, a violência vai vencer. É o preço que se paga.

Capa de "Ponto Cego" (Dead Fish)

Sim, sim, sim! Sim, foi golpe orquestrado por sorrisos velhos e apertos de mão rumo ao passado. A esperança das ruas de 2013 catalisou aquele grande acordo nacional com o Supremo e com tudo para estancar uma sangria em nome da família e de um torturador. Uma jovem democracia acorrentada nos porões para que velhos ratos possam voltar a reinar. Comprando a justiça não há corrupção entre brancos e ricos, pois ninguém é julgado e a vida segue. É o preço que se paga.

Elevadores são feitos para subir, as minorias não vão poder usar. Escadas e entrada de serviços, ponha-se em seu lugar. Motivo de vergonha, indignação. A cumplicidade das panelas. O lado certo da história não tem sangue nas mãos. Quando o passado volta à moda em nome de um torturador, o sonho médio é vestir a carapuça do opressor e achar que tem poder. Buscando um inimigo, fomenta a paranoia e faz para confundir. Crianças ficarão longe do senso crítico, quem fraquejar será imediatamente punido. Aponta a arma para si e é assim que começa. É o preço que se paga.

Pelas passarelas de concreto, um idiota, um cidadão de bem desfila com seus cachorros de marca, acessórios do status quo. Fetiche do autoritário, a rédea curta em suas mãos, subordinado adotado para aliviar a tensão. Aperta o passo, aperta o laço mostrando quem é de quem. Correção educativa não se aprende sem sofrer. Liberdade limitada, vigilância para o bem. Pobres cachorros. Os muros serão altos, conter e vigiar. Traços subversivos, punir e delatar. É o preço que se paga.

Imagem relacionada

A distopia que era mito, fundamentada por debates mudos e evasivas, foi endossada, foi eleita. A voz daqueles que só pensam em si para defender o status quo que foi imposto e governar pelo dinheiro. Presos em seu umbigo-mundo, tudo ao redor é ponto cego, puro vitimismo. Cortar direitos, sem empatia, privatizar a qualquer preço é progredir. E não termina assim, é só o começo. Quem paga o preço por um cento enriquecer e prosperar? Visto de cima não parece tão ruim. Distribuída ordem na vertical. O conservadorismo hipócrita do pregador elege seus bolsos. A justiça tira a venda e escolhe o vilão. É o preço que se paga.

Na guerra não convencional, na doutrina do choque, o predador neoliberal faz a festa interferindo no processo eleitoral. Comprando a justiça não há corrupção. Do deus mercado e capital desregularizado se alimentam oligarcas. Reserva de petróleo que não lhes cabe parte necessita intervenção. Novo sistema laboral, fábrica de escravos prioriza oligarcas devorando tudo até não sobrar nada, capitalismo do desastre. Destruir para lucrar com a reconstrução, trocar de dono. No ponto cego está toda a população, meros inquilinos empreendendo, pagando a conta para o bem-estar de poucos. É o preço que se paga.

Desigualdade aumenta, a repressão também, uma guerra de classes beneficia a quem? Fez-se o tumulto e a desinformação, daí surgiu a oportunidade. Instala-se o medo e a insensatez que não aflige quem tem muro e grade. No ponto cego é fácil disfarçar o cheiro podre de todo andar. Congele o investimento em saúde e educação, reduza a idade de trancá-los na prisão. Busque um emprego com a terceirização, pode negociar direto com o patrão. Aceite a migalha e nem pense em reclamar, pois sempre terá outro querendo o seu lugar. É o preço que se paga.


Preste atenção ao demagogo há trinta anos nesse jogo. Sem diálogo, nem projetos, dando graças ao ódio e ao medo. Se a democracia estiver entre o rei e o que ele quer é a caneta ou a espada que prevalecerá. Em meio à crise, autoritário opressor vem para contagiar. Sacramentada pós-verdade, rebanho pronto para aceitar, criados para matar. Não vai adiantar tentar esconder. No ponto cego neutro e seguro que encontrou dentro de um vazio que não cicatrizou. Água empoçada, rigidez, torpor, discurso de casta, modelo importado. Baixa tolerância, alta infração, seguindo a hierarquia e vivendo em negação. É o preço que se paga.

A epidemia se espalhou por todos os lados. A mentira viralizou, tornou-se real. A narrativa vinda do colonizador tingiu de branco nossa história e sem escrúpulo omitiu e apagou o outro lado da moeda. O passado frágil corre para se proteger, tranca a porta e fecha as cortinas. Do ponto cego da história brotam vozes de resistência e de luta. O velho se põe a gritar, espernear, tentar abafar a inevitável mudança. Mas cada dia mais janelas vão se abrir e a diversidade vai brilhar ao sol.

terça-feira, 2 de julho de 2019

Reflexão sobre o primeiro semestre de (des)governo Bolsonaro

Seis meses após o início do mandato já é possível realizar uma análise prévia do governo federal após o encerramento desse primeiro semestre de 2019. Trata-se de uma reflexão que condiz com o que foi construído até o momento; portanto, reflete a conjuntura até o ponto atual. Cientistas políticos defendem que os primeiros meses de mandato de um novo governo são essenciais, pois o mesmo chega apoiado pela legitimidade do voto. 

Entre os diversos fatos e sem fake news, é possível começar pelo fim do horário de verão, uma das primeiras medidas do governo Bolsonaro. Ou então a proposta de acabar com a tomada de três pinos.  Ainda é possível citar o fim da multa para os motoristas que circularem com criança fora da cadeirinha. Ou quem sabe ainda a mudança na CNH (Carteira Nacional de Habilitação) por meio de um PL (Projeto de Lei) que visa aumentar de 20 para 40 o número de pontos na carteira e a validade ampliada de 5 para 10 anos para o condutor brasileiro. O guru Olavo versus a ala militar. A decadência de Onyx na articulação política. E o desejo de mudar a embaixada do Brasil em Israel? Quanta relevância para o Brasil não é mesmo?


As bizarrices não acabam por aí. Quem não se lembra da polêmica do golden shower no carnaval? Teve também a declaração contrária ao turismo LGBT no país, o que contraria o próprio momento econômico do país. Especulação sobre o fim das urnas eletrônicas e saída do acordo ortográfico também não faltaram. Ou mesmo em transformar uma unidade de conservação ambiental entre Paraty e Angra dos Reis na Cancún brasileira, repleta de comércio e resorts de luxo para as oligarquias regionais. A pressão autoritária, desnecessária e pública do Levy que culminou na renúncia do mesmo. A proposta de ampliar o enquadramento de arquivos secretos, restringindo assim o acesso público, barrado em fevereiro pelo Congresso. Teve ainda a declaração feudal ao explicitar o desejo de um juiz evangélico para o STF (Supremo Tribunal Federal). Quando o executivo é fraco, o judiciário e o legislativo são levados a governar.

E o caso da Wal (servidora fantasma que vendia açaí em Angra)? E o caso Queiroz e Flávio, suspeitos de lavagem de dinheiro e organização criminosa? E as candidatas laranjas do PSL (Partido Social Liberal) em Minas Gerais? Bebbiano, Marcelo Álvaro (ministro do Turismo)? E a base militar dos EUA no Brasil? Quem aqui se lembra das pérolas da ministra Damares? Realmente esse governo possui um elenco de primeira em questão de comédia e tragédia. A derrota no caso Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) indo da Justiça para a Economia. A permissão de menores em clubes de tiro com a autorização dos pais. A polêmica indefinida do porte e posse de armas. Um verdadeiro desastre institucional do poder executivo federal. Criticar era fácil, difícil é fazer.

Bolsonaro vira chacota na Globo (Foto: Reprodução)

Balbúrdia são R$5,8 bilhões contingenciados do ensino, 3474 bolsas cortadas, 2 péssimos ministros da Educação, as diversas demissões e trocas de técnicos em menos de 6 meses. Ex-ministros da Educação, Justiça, Meio Ambiente e Ciência de diferentes partidos já lançaram manifestos contra o atual governo. Até mesmo o Tiririca, ícone do voto de protesto, disse recentemente em entrevista que se o Bolsonaro não sair do pedestal será o pior presidente da história do Brasil. O próprio ministro Sérgio Moro chamou os integrantes do MBL (Movimento Brasil Livre) de tontos. Enfim palavras sábias em meio a tanta balbúrdia governamental. 

A agenda desses primeiros meses é tão extensa que mal dá para respirar não é mesmo caro leitor? Afinal, o Brasil vive um momento magnífico. Um exemplo foram os 39 kg de cocaína na comitiva presidencial rumo ao G20. Jogada de mito focar no comércio internacional de drogas para fortalecer a economia nacional. Houve também os 117 fuzis M-16 encontrados com milicianos acusados de envolvimento na morte da vereadora Marielle e Anderson. Realmente muitas coisas estranhas rondam o presidente, a família do mesmo, integrantes do governo e a vizinhança. Um banho de sal não faz mal a ninguém. Melhor mudarem as companhias, já dizia a Bíblia: diga com quem tu andas e eu direi quem tu és. 


O excelentíssimo presidente da república das bananas isentou cidadãos dos EUA, Japão, Austrália e Canadá do visto para o Brasil sem contrapartida. Ou seja, eles podem vir de boa, mas nós não conseguimos ir sem burocracia. Vendedor internacional de bijuterias de nióbio. Ah esses comunistas viu, a culpa é sempre deles. Basta discordar do governo para receber tal alcunha, não precisa fazer nada, basta criticar o atual governo. O velho fantasma de um passado que nunca ocorreu em terras tupiniquins. Errar é humano, persistir no erro é burrice.

O único "trunfo" da atual gestão trata-se de uma contradição. Refiro-me ao acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia após 20 anos de negociações. Ora, Bolsonaro anunciava fazer acordos bilaterais e não em grupo, ameaçando reduzir a participação do Brasil no bloco sul-americano. E, subitamente, diz ser um triunfo do atual governo sendo que tal acordo vinha sendo costurado desde 1999 pelas gestões dos mais de 30 países envolvidos. Inclusive a França ameaça não assinar o tratado caso o presidente cumpra a promessa de sair do Acordo de Paris. Pelo amor. O mesmo é possível dizer sobre a Reforma da Previdência que ainda não foi aprovada. Em 30 anos como deputado Bolsonaro sempre foi contra, mas agora acata ao Chicago Boy. Fora as denúncias de parcialidade do ministro Moro em seus julgamentos e seu pacote anticrime que ainda não andou. 

Ações e omissões não faltam para ilustrar. Com um discurso de limpeza geral e incentivo à polarização, o governo Bolsonaro parece não ter saído ainda da campanha, jogando apenas para o seu nicho eleitoral que mantém a sua base. Na verdade, ao longo desse semestre não houve a tal renovação prometida. É bem verdade que restam três anos e meio, mas a dúvida sobre as propostas permanece. A única carta na manga parece ser a Reforma da Previdência. E depois? Por que alguns agentes ganham mais do que o teto previsto por lei? Onde está a Reforma Agrária? Onde está a Reforma Tributária? Por que os políticos e juízes ganham muito além do salário mínimo, fora os benefícios? Seis meses de um verdadeiro desgoverno.

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Reflexão sobre a Era da terceirização

Sobram indivíduos, faltam cidadãos. Sobra reclamação, falta civilização. Subitamente, o catador de lixo e o vendedor de balas no semáforo que passam fome e lutam diariamente pela sobrevivência passam a ser cases de empreendedorismo em meio ao modelo da terceirização. Bem-vindo à Era do cada um por si!

A sociedade brasileira nada mais é do que um grande jogo de empurra. Todos sabem ou fingem saber dos seus direitos, mas acabam se esquecendo dos respectivos deveres. Muito se fala em crescimento, mas pouco se aplica de fato em sustentabilidade. Falam em preservar o meio ambiente, mas querem dinheiro e querem agora. As transformações nas noções do tempo e do espaço refletem o cotidiano das pessoas. 

É o prefeito que joga a culpa no governador. É o governador que terceiriza a responsabilidade para o presidente. É o presidente que foge do debate e passa a bola para os ministros. São os pais que terceirizam a educação dos próprios filhos para os professores. É o povo que reclama das enchentes, mas descarta o lixo em qualquer local. É o indivíduo que reclama do coletivo, mas pensa apenas em si mesmo parando em vaga proibida e cortando fila. É o juiz paladino da justiça que falta com a ética. São as indústrias que jogam a culpa para o governo. É o governo que quer fazer cortes sem dar o exemplo. 

Resultado de imagem para terceirização

Exemplos de terceirização não faltam. Pretendem mudar o mundo sem melhorar o próprio interior. A culpa é sempre do outro e assim o ciclo persiste, o velho jogo de empurra. Deixa para amanhã, deixa para depois. Eternamente o país do futuro, tentando ser quem nunca foi. Abrindo as portas e as pernas para o que vem de fora, esquecendo de olhar para dentro. É preciso autorreflexão e humildade para colocar os pés no chão e voltar ao rumo. Modelo empresarial falido, sem PDCA, sem análise crítica, sem resolução de problemas, sem propostas, sem tempo para pensar e ouvir. Apenas terno e gravata sufocando o povo. 

O Estado brasileiro nada mais é do que um grande jogo de empurra. Muito se fala em crescimento, mas acabam se esquecendo do desenvolvimento. O valor monetário bruto supera a qualidade de vida e desse modo o país segue sem perspectivas, fadado ao fracasso. Falta vontade popular, falta vontade política, falta vontade econômica. E assim os vereadores jogam para os deputados. Os deputados empurram para os senadores. Os senadores terceirizam o problema para a oposição. A oposição passa a bola para a situação. O governo, perdido como sempre, joga a culpa no passado, esquece que também faz parte desse jogo há três décadas. E o presente? E o futuro?

Com o avanço do capitalismo neoliberal predatório está na moda usar termos do mundo dos negócios, ou melhor, conceitos mercantis de práticas e melhorias do bussiness visando a eficácia e eficiência do discurso de blá blá blá. Muito se fala em gestão pública gerencial, mas no próprio seio das instituições privadas o jogo de empurra passa do presidente para os diretores, dos diretores para os gerentes, dos gerentes para os supervisores e dos supervisores para a base da pirâmide. Relações verticais extremamente hierarquizadas. Ou, se preferir, a brincadeira antiga de passar a batata quente. Perde quem segurar a bomba por último.

Terceirização só serve para reduzir salários e direitos dos trabalhadores. Entenda porquê.

Terceirizar significa passar a bucha para o próximo. Significa que poucos ganham em detrimento da perda de muitos. Afinal, nem todos podem ganhar pela lógica do sistema não é mesmo? O sucesso pós-moderno se baseia na derrota alheia; pois, para alguém vencer, muitos precisam perder. Amigos, amigos, negócios à parte. E quem paga a conta? Nariz de palhaço a cada novo boleto pago. Nariz de palhaço a cada novo desvio de verba pública, em cada buraco. E a falácia dos demagogos continua; entretanto, ninguém mais bate panela agora. Autonomia passa a ser sinônimo de autônomos (trabalho informal). Tontos!

Terceirizar é colocar alguém para fazer por um menor custo e todos aqueles direitos que as pessoas achavam possuir vão, aos poucos, se perdendo. Todos querem a mudança, mas ninguém quer mudar. Então uma nova rodada de negociações é necessária. Uma nova terceirização, privatização total, tudo nas mãos de poucos, tudo nas mãos dos empresários. Ah sim, a tão sonhada salvação concreta da selva de pedras. Um salve para os heróis das bolsas de valores, sempre em alta. Tolos!

O desemprego, a falta de moradia e a pobreza são meros detalhes em meio aos outdoors de luxo nas avenidas das capitais brasileiras. É necessário sempre mais. Mais cortes, mais reformas, mais privatizações, mais terceirização. Enquanto isso, atrás das cortinas do teatro, o jogo continua sendo jogado, o velho jogo de empurra. 

sábado, 15 de junho de 2019

Reflexão sobre a sociedade de castas (Belíndia)

Era uma vez um país com dimensões continentais cuja desigualdade histórica levou a um processo contraditório, repleto de riquezas e potencial econômico de um lado, mas cheio de preconceito e má distribuição do outro. A Belíndia é justamente a ambiguidade entre o crescimento aparente (simbolizado pela Bélgica) misturado à segregação hierarquizada (simbolizada pela Índia). A velha estratificação social se faz presente nas terras tupiniquins em pleno século XXI e mesmo assim a cegueira dos seus habitantes continua centrada no próprio umbigo. Falta empatia, sobra discursos e justificativas. Uma saturação pós-moderna sem previsão de fim dentro dos paradigmas que estruturam o status quo.

O dualismo proposto pelo termo popularizado por Edmar Bacha na década de 70 traduz a realidade de um país emergente preso em suas próprias desigualdades. O crescimento dos tempos áureos não se converteu em desenvolvimento. Assim sendo, quando a estagnação bate à porta o retrocesso é eminente. Os conflitos se fazem na esfera política, mas é o âmbito econômico que pauta todo o jogo. A briga é pela narrativa vitoriosa, por discursos de massa. A luta se faz pela forma, não pelo conteúdo. Cheio por fora, vazio por dentro. Quem está no topo da pirâmide brasileira? Quem está na base dando sustentação sem sustentabilidade?


A sociedade de castas foi um sistema de divisão social hindu característica de países como Índia e Nepal. Pautada pela hereditariedade, não possibilitava movimentações de um estrato para outro. Ou seja, não há mobilidade. A condição (casta) do indivíduo está acorrentada aos seus ancestrais. O filho está preso ao determinismo inerente à condição (estrato) do pai sendo que cada integrante só podia se casar com membros do seu próprio grupo, perpetuando assim a clivagem social. Teoricamente, as classes sociais do sistema capitalista possibilitam uma alta mobilidade, mas talvez estejamos no meio termo entre ambos: estamentos com pouca mobilidade típico do sistema feudal. Haja em vista as oligarquias (políticas) e os oligopólios (econômicos) presentes.

Em sânscrito (língua antiga falada na Índia), casta significa "cor". São quatro os tipos de castas na Índia: (a) Brâmanes - sacerdotes; (b) Xátrias - guerreiros com poder político; (c) Vaixás - comerciantes; (d) Sudras - servos. Os Párias eram marginalizados da sociedade de modo que nem compunham a pirâmide social das castas, restando apenas os trabalhos degradantes por serem considerados impuros dentro do contexto religioso-político (por esse motivo também são considerados intocáveis). Será que tal divisão se concretiza no Brasil? Metade Índia, metade Bélgica. Talvez nem isso. Um país emergente em estado de emergência entre o sonho da primeira classe e o cotidiano do subdesenvolvimento. A realidade é um fato que se impõe na rotina do cidadão, só não vê quem não quer.

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Era uma vez a promessa de sempre colocar a culpa no outro e postergar as melhorias. Cortes sempre solicitados, mas ninguém dá o exemplo. Burocracia de cima para baixo. Sacrifícios necessários para a satisfação real de poucos. Castas perpetuadas com a promessa de ascensão meritocrática, mas no fundo a alta cúpula é formada por indicações e quadrilhas organizadas que chegam ao poder sem projeto, sem planejamento. Era uma vez uma disputa ideológica contra um fantasma que nunca existiu. Em busca da reafirmação da própria certeza pautada em convicções que se fragmentam a cada areia transcorrida da ampulheta. A verdade é obscurecida, o que importa mesmo é o controle da notícia e da informação. Manipular para sobreviver.

A Belíndia de hoje continua sem respostas, mas os questionamentos só aumentam. Sem heróis ou mitos, apenas humanos tentando passar por cima de outros em prol do benefício próprio. Talvez faraós, pirâmides do Egito no Brasil da atualidade. A desorientação implica na busca por salvação. E a escravidão? E a tal da fraternidade? As dúvidas persistem, perguntas que se multiplicam. Enquanto isso os recursos continuam escassos, a demanda aumenta exponencialmente e a vida de todos passa a ser bolhas insulares onde o ter é mais importante do que o ser. 

sábado, 1 de junho de 2019

Reflexão sobre plebiscitos e referendos

Partindo do pressuposto do que se convencionou em chamar de democracia moderna, a participação popular deveria ser mais ativa nas questões referentes à coisa pública. Entretanto, no velho conchavo de poucas famílias brasileiras no comando da nação, o chamamento popular é irrisório diante da abrangência que o termo democrático traz consigo. Simbolicamente, os cidadãos são chamados a cada dois anos para as eleições e do mais são manobrados por interesses pessoais e partidários como gados no pasto. A resistência atualmente é feita somente nas ruas; pois, por vezes, nem as urnas bastam diante do lobby (explícito ou invisível). O mesmo já se alastra pelos asfaltos por meio de patrocínios.

Duas ferramentas importantes para inserir a sociedade nos debates e tomadas de decisões são os plebiscitos e referendos. Ambos são consultas populares para decidir questões de natureza pública (constitucional, administrativa ou legislativa). Previstos na Constituição Federal, podem ser convocados mediante decreto legislativo em âmbito federal. Já para questões de competências regionais ou locais, os plebiscitos e referendos podem ser convocados em conformidade da Constituição Estadual nos estados e da Lei Orgânica nos municípios.

Plebiscito é uma consulta que antecede a tomada de decisão pelo parlamento, ou seja, primeiramente questiona-se a população sobre o assunto para depois elaborar a legislação. Já o referendo é uma consulta posterior, ou seja, o parlamento toma uma decisão política e consulta o povo para saber se este aceita ou não aquela decisão. Só após a aceitação popular é que a decisão passa a ter validade. 

Plebiscito

Portanto, a principal distinção entre plebiscito e referendo está no momento da consulta, sendo o primeiro convocado previamente à criação do ato legislativo, e o segundo convocado posteriormente, cabendo ao povo ratificar ou rejeitar a proposta. Na história do Brasil é possível citar o referendo sobre o fim do parlamentarismo de 1963 e o plebiscito sobre o sistema político (presidencialismo ou parlamentarismo) e regime (república ou monarquia) em 1993. Nos dois casos o presidencialismo foi a opção escolhida pelos brasileiros. 

Isso não quer dizer que a voz da população sempre é acatada pelo poder público. Um exemplo recente foi o referendo sobre o Brexit quando em 2016 os cidadãos decidiram pela saída do Reino Unido da União Europeia. De lá para cá ainda não houve um acordo entre as partes, o que foi prometido ao povo se mostrou algo tão complexo que ainda não foi possível se concretizar e talvez nem o seja. Uma das principais articuladoras do movimento, Theresa May, foi eleita primeira ministra à época, mas caiu do cargo em maio deste ano devido a seu insucesso. 

OAB 1ª Fase: qual diferença entre plebiscito e referendo?

No Brasil, em 2005 houve um referendo sobre a proibição do comércio de armas de fogo no país. O povo rejeitou a proposta, mas a concessão do registro e porte de armas no país permaneceu rigoroso e restritivo. Como se nota, nem sempre a maioria vence. Nem sempre a voz do povo significa bom senso e racionalidade, muitas vezes se deixando levar pelos sentimentos, agindo por impulso e sem medir as consequências.

Nem mesmo as eleições são garantias de soberania popular. Assim foi com Jango na década de 60 após a renúncia de Jânio Quadros e também na eleição de Dilma para o seu segundo mandato como presidenta em 2014. Mesmo sendo eleita, o impeachment logo foi armado com a promessa de uma faxina política. O que se vê hoje, mais de três anos depois do seu afastamento, é que a sujeira continua nos porões e esgotos de Brasília e vários corruptos (empresários e políticos) livres ou em prisão-mansão domiciliar. A desculpa do golpe permanece até hoje, assim como Temer jogou toda a culpa da sua incompetência na greve dos caminhoneiros. A culpa é sempre do outro e no final quem paga a conta é o povo.

sábado, 18 de maio de 2019

Reflexão sobre a sociedade de riscos

Característica marcante da sociedade pós-moderna são os riscos embutidos em cada elemento do cotidiano. Seja no estilo de vida fragmentado (oriundo da divisão moderna industrial) ou na revolução tecnológica, a cada dia há novas formas de expressão e transformação que alteram hábitos, tempo e espaço. A ameaça mundial contida na bipolarização que marcou o século XX continua acrescida da ameaça do consumismo globalizado e consequente enfraquecimento do Estado-nação.

O medo sempre foi um sentimento presente, o diferencial da atualidade são os riscos inerentes de cada ato. Sociedade de risco foi o termo utilizado pelo sociólogo Ulrich Beck para descrever um sistema repleto de perigos e inseguranças induzidos pelo próprio processo de modernização tendo a sua consequência na contemporaneidade. Uma sociedade estruturada em reações, pois as ações podem ser graves e desastrosas. Como exemplos é possível citar a nuclearização, robotização (inteligência artificial), aquecimento global (degradação do meio ambiente), manipulação genética, controle de instituições (vigilância e monitoramento), agrotóxicos, descarte de resíduos, entre outros.

Sinal De Alerta, Assinar, Sinal De Trânsito

O aparente negativismo no pensamento do autor se traduz por meio da realidade nua e crua. A produção descontrolada da riqueza é acompanhada pela produção social de riscos como um efeito colateral. A cadeia alimentar social é simples: se não produz não vende; se não vende não contrata; sem emprego não há recursos; sem recursos Estado e sociedade ficam estagnados; estagnados há uma perda na qualidade de produtos e serviços; sem qualidade há um retrocesso de vida e queda no desenvolvimento humano; sem motivos para viver e melhorar tem-se a indiferença e anomia. O processo converte-se a si mesmo, um ciclo como uma bola de neve.

O risco está na dependência do Estado para com o sistema. O risco está na dependência da sociedade para com o Estado. O risco está na desconfiança entre as pessoas. O risco está na dependência da tecnologia e na demanda por uma alta produtividade sendo que os recursos primários (matéria-prima básica) são limitados (escassos) e em alguns casos já estão se esgotando. O melhor não é mais sinônimo de qualidade, mas sim aquilo que pode evitar algo pior.


Se antes, segundo Beck, havia a solidariedade da carência e esperança no futuro mesmo diante das dificuldades enfrentadas, o que se nota hoje é a solidariedade pelo medo, uma burocratização típica dos tempos de Weber e uma apatia que condiz com a falta de reconhecimento descrita por Honneth e demais pensadores da Escola de Frankfurt. 

A democracia que não é democrática flerta perigosamente com a oligarquia no âmbito político e oligopólios no âmbito econômico. Poucas estruturas de mobilização factíveis remetendo a um sistema de castas tal como na Índia. A demagogia parece se encaixar melhor no contexto cibernético vigente em que todos querem falar sem ter o que ser dito. Todos falam (muitas vezes sem pensar), todos querem ter razão (especialistas de nada), mas poucos ainda sabem ouvir e respeitar. 

O básico representado pela tríade de educação, segurança e saúde é deixado de lado. O passado é esquecido, a história é acusada de traição ideológica. Todos são inimigos e culpados pelo simples fato de discordar. A igualdade passa a ser a autopreservação em detrimento da sociabilidade. Perto tecnologicamente (online na rede), mas longe um do outro quando estão fisicamente lado-a-lado. Mais uma contradição inerente ao neoliberalismo desenfreado e selvagem. Afinal, ganha quem tiver o saldo maior, ganha quem tiver a conta mais recheada de cifrões, seja euro, dólar ou real. Ao final, todos perdem.  

terça-feira, 7 de maio de 2019

Reflexão sobre os cortes no ensino

Cortar a filosofia
Em prol de uma suposta economia
Uma sociedade sem sabedoria
Simplesmente sem empatia
Em busca de soberania
Luta pela autonomia 
Sem ser utopia
Cortar a sociologia
Pura demagogia
Falsa democracia
Isso sim é anomia
Rigidez típica da oligarquia
Automatização líquida e apatia
Educação é fundamental todo dia
Logo será história e geografia
Contexto similar ao da Guerra Fria
Sem sinfonia, sem sintonia
Brigando contra a própria ideologia
A ciência perde espaço para a falsa magia
Um castelo sem fantasia
Erro atual de anacronia
Pura hipocrisia
De um governo sem simpatia
Sociedade descartável, esquizofrenia
Doença avançada sem terapia
Agindo com covardia
Estado sem guia
Capitalismo de periferia
Sem sinfonia, sem sintonia.

Dia dos Mortos Pensador vetor de dia dos mortos pensador e mais banco de imagens de esqueleto humano royalty-free
Fonte: https://www.istockphoto.com/br/vetor/dia-dos-mortos-pensador-gm183411053-15707929

sexta-feira, 26 de abril de 2019

Reflexão sobre o diário de um desempregado

Acorda cedo, sem hora para terminar
Prepara o café, arruma a casa
Chama as crianças para a escola
Prepara o fôlego para mais um dia
Insistência, persistência, resistência
Pasta no braço, currículo na mão
Carteira de trabalho sem registro
São as contas que não param de chegar
As bocas para alimentar
Pego ônibus lotado
Sem lugar para sentar
Vai de empresa em empresa
Fila em cada rh
Sonha
Não pensa para não desanimar
Apenas sonha e segue
Vai meio sem rumo
Até quando a perna aguentar
Na tv o ministro diz que vai melhorar
O jornal fala de melhora na economia
Mas já faz um ano que segue na rotina do desemprego
Demissões
Diário de um desempregado
Acorda cedo para enviar currículo
Liga o computador e fica até a noite chegar
Busca marcada pela esperança pela contratação
Limpa a casa, liga o rádio para tentar relaxar
Força, foco, fé
Mas a angústia continua
Melancolia, tristeza, depressão
Não se pode deixar abater
O presidente diz que vai melhorar
Mas o índice de desemprego não para de aumentar
Sobra cobrança, falta oportunidade
Então sonha sem pensar e segue
Refém dos bancos, refém do mercado
Um sistema de exclusão e gentrificação
Que afasta do centro para as margens
Falta espaço, falta tempo, falta dinheiro
É o chocolate que não vai poder dar
O presente para o filho que não consegue comprar
Clivagem social, seja por gênero ou idade
Mesmo assim segue
Sabe que não pode parar
Mãos calejadas
Dor no joelho
Falta dinheiro até para a passagem
Várias reformas aprovadas
Mas a vida continua a mesma há meia década
Talvez até pior
Tanto se fala em previdência
Mas falta o básico
Falta ensino, segurança e saúde de qualidade
Falta emprego
Falta o sentimento de reconhecimento e dignidade
Olha para o lado e respira um pouco
Foram tantos currículos que até perdeu a conta
É o atraso que sufoca
A falta de perspectiva que afoga
Vida dura, suada e seca
Contradições e perguntas sem respostas
Informalidade quase indigente
E ainda querem mais
Bem diferente dos engravatados em seus discursos
A realidade se impõe
Por vezes machuca
Ferida social aberta não cicatrizada
O preço é muito alto
Mas parar não está entre as opções
E assim segue com sua sombra
Com medo e esperança
Sabe que amanhã será um novo dia
As luzes se apagam
O silêncio externo contrasta com a agitação interna
E o ciclo se repete de novo e de novo.

sábado, 13 de abril de 2019

Reflexão sobre o Brexit

As relações internacionais, que tendiam à abertura mundial por meio da globalização após o período de bipolarização presente na Guerra Fria, agora encontram obstáculos até mesmo de nações tidas como liberais e que agora apresentam um individualismo imediatista. Como exemplo é possível citar as duas principais nações anglo-saxãs: os Estados Unidos de Trump e a Inglaterra de Theresa May. Esta última com o diferencial de busca pelo reconhecimento na contemporaneidade pela hegemonia de outrora. 

O processo de separação do Reino Unido com a União Europeia ficou conhecido como Brexit que em inglês significa saída (exit) dos britânicos (br) do bloco ao qual pertencem desde 1973. É bem verdade que a geografia de ilha da Grã-Bretanha afastada do continente pelo Canal da Mancha e a utilização da libra como moeda oficial mesmo após a adesão do Euro como moeda do bloco europeu conferem algumas peculiaridades. A onda protecionista e nacionalista influenciada, sobretudo, por questões econômicas e pelos fluxos migratórios tornam-se um solo fértil para análise da conjuntura atual. Assim é Babel, conforme descrito por Zygmunt Bauman: entre a incerteza e a esperança. O tradicional conservadorismo insular se faz presente no século XXI.

brexit o que é causas consequências para brasil e mundo

Em 2016 o então primeiro-ministro do Reino Unido David Cameron fracassou politicamente ao colocar em votação um referendo sobre a saída do país do bloco europeu. Após a vitória daqueles que eram favoráveis ao divórcio por uma pequena margem de diferença (51,9% a favor da saída contra 48,1% favoráveis à permanência) o mesmo se viu obrigado a deixar o cargo e renunciou depois do congresso de outubro do seu partido.

Cameron foi sucedido por Theresa May que prometeu atender aos anseios britânicos por meio de um processo de separação que não traria grandes consequências aos envolvidos e levaria a cabo a histórica decisão dos mais de 30 milhões de eleitores (71,8% do total) que compareceram às urnas para expressar o seu desejo, fato que não foi comprovado com o passar dos anos.

Brexit and access to UK financial markets by EU27 firms

Desde então o que se vê são sucessivas discussões no parlamento britânico sem a costura de um acordo político viável. O dilema até o momento se baseia em duas opções: (1) um acordo com o parlamento europeu de mútuo entendimento entre as partes; (2) saída abrupta e sem acordo com a União Europeia, o que acarretará em várias perdas e um grande impacto na economia da ilha.

A busca pela retomada dos holofotes por parte dos britânicos assim como fora nos séculos pertencentes à modernidade mostra-se como uma típica nostalgia da hegemonia passada. Em especial, a predominância inglesa no século XVIII por meio da Primeira Revolução Industrial e consolidação após a vitória nas Guerras Napoleônicas durante o século XIX, interferindo em assuntos como independência, escravidão, monarquia e dívida pública do Brasil no período.

brexit o que é

A peculiar monarquia democrática parlamentarista britânica se encontra perdida entre realizar uma nova consulta pública, validar o resultado do referendo e atuar para a separação ou ignorar o voto dos cidadãos em prol da continuidade do relacionamento ao não romper com a integração europeia. De qualquer modo, as consequências da eventual ruptura já são sentidas no Reino Unido com a saída de algumas empresas para o continente europeu sendo que parte da própria população local pede um novo referendo alegando que foram iludidos por promessas não cumpridas dos defensores do Brexit.

O estrago já é sentido e aumenta conforme o prazo chega sem uma solução viável no horizonte que agrade as duas partes envolvidas. O caminho do meio tal como citado por Aristóteles no livro “Ética a Nicômaco” ainda não foi encontrado pelo sistema parlamentarista insular diante da suposta democracia monárquica. Mais uma vez as contradições do capitalismo se acentuam por meio de um suposto neoliberalismo globalizado.